Wednesday, November 2, 2011

Cartas do Anónimo


E só me apercebi há muito pouco tempo: de te conhecer melhor, cada vez melhor, subi mais uns degraus na minha obra. Agora já me sei mais eu.
Primeiro começou como um ritual de iniciação, uma entrada na floresta por poucos minutos durante o dia. Veio a noite e eu não fugi. Voltei a entrar, com medo e medo de falhar. As memórias são bolas de chumbo que nos pesam no andar. A seguir desafiei as árvores mais altas, as sombras mais terríficas, as madrugadas ventosas de galhos partidos e trilhos cortados. Comecei tudo do princípio. Quis desistir, mas o orgulho fechou-me os sentidos. Tinha vergonha de voltar e não trazer um troféu. Sem retracções na postura, balanço de vencedor, não pus hipótese de alternativa. O caminho estava lá e era para ser feito. As lendas fazem-se de corajosos. E eu sempre quis ser um herói da causa mais forte...
O troféu? Sim, esse vou-o tendo, aos bocadinhos. Como um ritual de passagem, sempre que subo mais um degrau, ao teu lado.

Arthur Russell, This Is How We Walk On The Moon

1 comment:

Anonymous said...

Esta está muito bonita...