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Tuesday, March 24, 2009

X-Ray [Ten - Pearl Jam]


Hoje regressamos aos tempos da flanela. Aos tempos em que os quadrados de flanela se combinavam com calções largos, rasgados e velhos para voltar a vibrar com as canções que fizeram o rock virar grunge.

Corria o ano de 1991 e o mundo ainda vivia mergulhado na pop feita de sintetizadores que marcou os anos 80; o Michael Jackson ainda era o rei e a Madonna dava que falar a cada mês. Como em tudo na vida, enquanto estes se mostravam em todo o seu esplendor, o lado alternativo virava-se para um som mais obscuro, onde as guitarras imperavam e as letras depressivas davam alento a dores escondidas e a traumas mal resolvidos.

Bandas como Green River, Mother Love Bone e Soundgarden ganhavam expressão para os lados de Seattle. Ganhavam adeptos e não se coibiam com a pop praticada um pouco por todo o mundo. O grunge nasceu marginal, no underground, em pequenos clubes e acabou por dar ao mundo alguns dos maiores ícones musicais: Kurt Cobain e o seu fim prematuro e trágico é hoje o símbolo desta geração que ainda tem muito para dar.

Hoje celebramos a re-edição de Ten, um álbum histórico na biografia dos Pearl Jam e do grunge em geral. A banda inicialmente formada por Stone Gossard e Jeff Ament foi, mais tarde, completada por Mike McCready e Eddie Vedder que veio de San Diego, onde era trabalhador de uma bomba de gasolina. A banda que esteve para se chamar Mookie Blaylock – em homenagem a um jogador de basquetebol – acabou por prestar a homenagem ao nomear o primeiro álbum de Ten – o número da sua camisola.

Gossard e Ament tinham as músicas acabadas, Eddie Vedder escreveu as letras e Ten foi gravado num mês. Engraçado saber que o Alive foi inicialmente Dollar Short, ou que Once era Agytian Crave e que E Ballad musicou Black. E que Once, Alive e Footsteps (nunca editada em álbum oficial até ao Lost Dogs) são uma trilogia formando uma mini-opera apelidada de Mamasan. A capa de do disco mostra uma banda que na altura ainda não se sentia como parte de um grupo que mudaria a história de uma geração, mas que tinha bem presente o espírito “um por todos e todos por um”, ainda mais no que diz respeito a música, visto que foi isso que os uniu. Ten empurrou para o mainstream temas como o abandono, a solidão, o homícidio e pôs o mundo a cantar e contente por estar vivo. Com vendas humildes nos primeiros tempos, em 1993 acabou por suplantar o Nevermid dos Nirvana e vendeu mais de 10 milhões de cópias em todo o mundo, arrecadando 12 platinas e vários prémios entre Grammys e prémios MTV. Teve oficialmente três singles – Alive, Even Flow e Jeremy - e serviu de base à primeira tour que deu a conhecer uns Pearl Jam irreverentes, interventivos e incansáveis, capazes de mover multidões e pô-las a vibrar.

A 2 anos de fazerem 20 anos de carreira re-lançam o disco que lhes ofereceu o mundo, numa versão melhorada, acrescentada e cheia de surpresas para os fãs que, como eu, os tem seguido desde a sua formação. Ao que parece, com a experiência acharam que o som de Ten estava demasiado rock n’roll e precisava de uns ajustes!

É hora de voltar à ingenuidade da adolescência e vibrar com Even Flow, sofrer com dúvidas em Why Go, chorar com Black ou enraivecer com Porch. Mas agora com a qualidade que a tecnologia do século XXI nos proporciona e com a sabedoria que a idade no traz!

Pearl Jam, Porch

Thursday, October 30, 2008

X Ray


Talvez eu não tenha falado ainda aqui no Xukebox de uma grande pancada que tenho pelo jazz. Há alturas em que estou mais próximo deste género musical e outras em que nem por isso, mas volto sempre, e em força, a audições contemplativas de velhos e novos discos dentro da música jazz .

A razão que me leva a falar do Jazz hoje não é por estar numa dessas fases “jazísticas”, porque não estou. Pareceu-me apenas uma forma fixe de introduzir um músico que, não sendo um artista do puro jazz, é um génio no que toca a reunir talentos e, com eles, fazer uma abordagem moderna e muito contemporânea ao jazz, classificada no género, e de forma altamente consensual, como “nu jazz”. Misturando bossanova, jazz e acid jazz, o senhor de que vos falo chama-se Nicola Conte, é italiano e, além de um DJ mediano – já o vi a “empurrar discos” e está longe de ser um fenómeno – é também patrão da editora “Schema”, que muito tem divulgado o “acid jazz” e o “nu jazz”.

Conheci a música do Nicola Conte quando ele editou aquele que considero um dos melhores discos de 2004, não pela sua editora “Schema”, mas sim pela Blue Note, a mais prestigiada editora de jazz do mundo, o “Other Directions”. Penso que este foi o momento de consagração de Nicola Conte no belo mundo do jazz.

Guitarrista da sua banda, não é um grande executante das guitarradas. Tive o prazer de o ver tocar com a banda na Aula Magna em 2005 e no Casino de Lisboa em 2006. O espectáculo na Aula Magna foi memorável pela qualidade da prestação de todos os músicos envolvidos, pela pureza do som e pelo ambiente criado naquele espectáculo.
Como vos digo, Nicola Conte não é um grande instrumentista mas tem uma capacidade incrível de reunir grandes talentos, uma habilidade na composição e nos arranjos fora de série e, “last but not least”, um sentido estético muito acima da média.

Fica também a dica para o irem ver na Aula Magna, apresentando o seu novo álbum “Rituals”, no dia 5 de Dezembro deste ano. É coisa para valer mesmo a pena.

É a faixa “Like Leaves in the Wind”, deste novo trabalho, que vos deixo para audição, aqui no Xukebox.

Nicola Conte - Like Leaves In The Wind