Friday, April 3, 2009

Been There Done That

Cinematic Orchestra, Aula Magna, 2 de Abril 2009

A Ficção Orquestrada

Ontem fui ver os Cinematic Orchestra e, sem me aperceber, fui parar a um cinema sem imagens projectadas mas muito sentidas. Assisti a uma perfeita simbiose de instrumentos comuns - piano, saxofone, bateria, guitarra, viola, baixo - com efeitos especiais evidentes de um filme de ficção científica, a criar uma atmosfera de sons profundos, ora serena, ora épica. Sons clássicos, eléctricos, ecos, feedbacks, distorsões propositadas e muitos efeitos serviram de base para uma banda sonora de uma mise-en-scène onde os instrumentos são as personagens principais, sem protagonistas, sem personagens secundárias,  com um argumento bem delineado e tão vasto quanto a imaginação de cada um dos espectadores que, enquanto sentados em frente daquele espectáculo são livres de criar.

Tudo é possível... Cenas soturnas, momentos tristes, pontos de euforia, suspense iminente, introspecções, apontamentos cómicos são tudo cenários passíveis de dramatização através desta música, que para além de ser escutada é primeiro vista, observada, depois sentida e por fim pensada e interiorizada. Notas musicais que se conjugam entre vários instrumentos mostram que a simplicidade é preciosa e que não é preciso fazer filmes nem complicar, para apreciar o que é bonito e genuíno. Uma realidade transparente que aqui foi ficcionada e musicada, capaz de nos levar da harmonia ao caos e do caos ao estado zen em minutos!

De salientar a jam de bateria que nos pôs a cabeça em marcha e a rodopiar, a simpatia e a simplicidade dos músicos e a qualidade musical do colectivo que funciona em perfeita sintonia! Nota menos positiva para a voz feminina muito pouco segura, com muitas hesitações. Apesar da ideia ser excelente, dar um toque de soul ao jazz, mas acaba por não ter o melhor dos desfechos. Eles prometem voltar em breve, não deixem de assistir!

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