Thursday, April 28, 2011

Discóbolo

Ainda me lembro de ter ido à loja de discos levantar este disco. Estava com um amigo. Fim de tarde, em Sta. Apolónia. Entrámos no meu carro e eu escolhi "Olympic Airways" para lhe apresentar os inglesíssimos Foals. O disco tinha saído há não menos de duas semanas. Estava esgotado. Tive que o encomendar e esperar (arte que não domino lá muito bem). Passados uns escassos segundos do tema a rodar, o meu amigo diz-me prontamente "Este gajo tem um tocar de guitarra muita estranho! Bem, mas isto é muita bom!" Este meu amigo toca guitarra, e uma das bandas de formação musical dele são os Cure. Eu, excitado como uma árvore de Natal, limitei-me a ripostar: Este disco é fenomenal! Não te consigo descrever a alegria que detenho no meu coração por ter tido a possibilidade de comprar rapidamente o primeiro disco dos Foals!
Começa tudo com um entrelaçado de metais aristocráticos e curiosamente termina da mesma forma. Um momento solene que os autores fizeram questão de assinalar e deixar como nobre na história da música. As duas primeiras músicas são o primeiro disparo. O arranque para o resto do disco. Enérgicas e com tempos elevados, "The French Open" e "Cassius" são uma posta singular do resto da obra. Fazem-nos dançar sem que pensemos com a devida atenção as palavras de Yannis Philippakis. E a seguir vem o resto do disco. Nove músicas de génio matemático. Nove músicas de profunda inspiração criativa. Nove músicas de suspense melódico. Nove obras de arte contemporânea. O expoente máximo redunda no instrumental feérico "Like Swimming", não menos importante e contributivo que todos os outros.
O domínio da construção melódica neste trabalho é absolutamente surpreendente. É muito raro ser-se bom, inteligente e inesperado nas mudanças de ritmo e noutras mudanças fundamentais da construção de uma música. Mas de facto este trabalho oferece-nos canções que são hinos e ao mesmo tempo artigos implacáveis de funk-rock.
E isso deve-se em grande parte ao baterista Jack Bevan. "Baloons" é um exemplo tácito das qualidades deste artista.
Existe no coração desta banda um conjunto de agradáveis ​​contradições. Apesar da forma incomum com que casam sensibilidade melódica com ruídos vanguarda de percussão e riffs tridimensionais, há um factor que acaba por ligar as diversas e elaboradas tergiversações: a gravidade. Será certamente por isso que as preocupações líricas de Yannis muitas vezes estejam relacionadas com sonhos e idéias visuais, ostensivamente em torno da destruição e abandono.
Mais um dos que fez e ainda vai fazer muita história. "Antidotes."


Foals, Tron

2 comments:

Breites said...

Excelente texto e excelente disco. Pena que não ter no alinhamento a Hummer e outra das primeiras que já não me lembro o nome...
O segundo é algo diferente, mais delicado, mas igualmente bom!

ANÓNIMO said...

Como estás Breites? Obrigado pela parte que me toca. Em relação ao "Total Life Forever", tenho as minhas reservas. Nem de longe nem de perto, comparado com o irmão mais novo. Esperemos pelo terceiro para o desempate ;)