Wednesday, December 22, 2010

Cartas do Anónimo

Comprei um skate. Este Natal dei-me um skate. Tábua retro, forrada a cortiça na parte de cima. Rodas azuis. Um azul memória, a fazer lembrar as rodas de um skate que o meu primo me emprestou (para sempre) e eu desgastei até ao último slide. Já não sou tão novo, mas o meu espírito guerreiro teima em extinguir-se. Tal como a sede incontornável que me levou à uns anos atrás a comprar a minha primeira bicicleta. Porque antes, antes disso foram os meus outros primos a ceder amigavelmente a bicicleta que já não lhes servia as pernas cinco anos mais longas que as minhas. Uma bicicleta vermelha que acabou estafada de tantos sustos, sem guarda-lamas e travão da frente. Também nunca recebi uma mota no Natal. Pedi. Pedi muitas vezes e nunca recebi. Até que percebi que o Natal é quando nós queremos. São os nossos desejos que queremos receber; as nossas vontades, os nossos sonhos. O que os outros têm para nós são outras coisas. São outras pessoas, são outros presentes. São eles ao nosso lado. Mesmo que aleatoriamente não coincida com os nossos desejos…


Ray Barbee, Find Enjoyment

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