Wednesday, July 28, 2010

Cartas do Anónimo


A meio tempo entre o jantar e o colchão, chegou outra ideia em MAIÚSCULAS. De quem vos falo é tão humano como qualquer um de nós. Tem vontades e receios. Anda com vida e a felicidade não lhe sai da cabeça. Diz em voz alta: Ainda bem! Ainda bem que a sua maior vontade é não desistir. Pensa em cerveja mas tem mais sede que tristeza. Por isso, se beber uma chega. Demais só para encher a barriga de gás mentiroso, que só existe até sair volátil e transparente (ainda por cima quando vai às compras nunca traz cerveja para ter em casa). Não faz mal. É na rua que gosta de apreciar a elegância das suas conclusões. Pega em três moedas brancas e esquece-se propositadamente de pôr desodorizante. À noite já não há sol. Vou passear as pernas e encaixar umas coisas que me vão ajudar a seguir o resto do meu caminho. Fecha a porta e continua a pé uns bons metros. Mas é ao fechar a porta que outra ideia se sobrepõe à original. Fechar para sair. Fechar para concluir. Fechar para acabar. E para poder voltar a entrar sem que a casa e tudo venha atrás como um caracol lento e peçonhento...

These New Puritans, Hologram

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