Wednesday, July 21, 2010

Been There, Done That |Super Bock Super Rock 2010

foto by mary


Agora com a cabeça mais desempoeirada mas ainda com os sonos desalinhados, posso escrever algumas linhas sobre a minha impressão dos concertos deste que, a meu ver, foi um grande cartaz. Mas antes umas palavras, poucas, para falar sobre o recinto. Não fui a nenhuma edição do Hype@Meco e por isso desconhecia o espaço, mas acho que é um local apropriado para este tipo de eventos. À excepção do pó, que é realmente muito e incómodo, o local é um bom anfiteatro natural (ao contrário do Parque da Bela Vista, em Lisboa) tanto no sítio do palco principal, como no palco secundário. Já há muito tempo que não tinha tão boa visibilidade dos concertos em festivais. O espaço estava bem dividido e em nenhum momento houve “apertos”. Sim, as condições de acesso têm que ser revistas mas digamos que o descuido das pessoas às vezes é flagrante e ir para um festival em locais onde se sabe que só existe uma estrada de acesso, num dia que também é sabido que a afluência é grande e à última da hora não é boa ideia… Não estou a tentar desculpar a organização, mas há cuidados que é preciso ter em conta em situações especiais. Sim, podiam ter vendido menos bilhetes e ter sido a um domingo também não ajuda. A pressão de ir embora é muito maior porque Segunda é dia de trabalho. Eu própria estive 1h30 para sair do parque de estacionamento, mas à tarde cheguei cedo porque sabia que era o dia mais concorrido e não apanhei confusão nenhuma…

O parque de campismo já não é para mim. Já não tenho idade para isso, mas ainda me lembro o que sofri nas primeiras edições do Sudoeste, em Paredes de Coura (onde cheguei a acampar em quintais alheios e banhos eram nas cascatas lá perto) e mesmo em Vilar de Mouros…

O essencial, os concertos…

Sexta, 16 Julho 2010

Custa-me muito mais perdoar a Música no Coração por ter posto o Jamie Lidell a tocar às 19h na Sexta-Feira que me obrigou a perdê-lo… Todo um fim-de-semana para o por a tocar, tinha mesmo que ser na sexta às 19h, hein?!?!

Cut Copy foram os primeiros que consegui ver e começou logo bem. Depois do concerto no Lux as minhas expectativas para este concerto eram baixas. Mas os meninos conseguiram não defraudar. Acho que podiam ter tocado mais tarde, às 21h o pessoal ainda se estava a ambientar ao local e andava um pouco disperso. À entrada, com Lights and Music faltou garra, não da parte da banda, mas do público. Seguiram-se os êxitos de In Ghost Colours, com algumas novas pelo meio que, pelo que me apercebi não superarão o trabalho anterior… Pareceu-me ouvir uns ritmos meio latinos lá pelo meio, mas espero que tenham sido interferências causadas pelo excesso de pó que a esta altura já se acumulava :) Não vi até ao fim porque os conterrâneos Temper Trap estavam a começar no outro palco e esses tinha mesmo que ver. (corridinha)

Temper Trap Já de noite e com um belo cenário de pinheiros a envolver o palco, a banda entrou em palco e esqueçam a denominação de “rock atmosférico” para adjectivar a música feita por estas pessoas. Foi em crescendo, primeiro a cativar o público mas assim que o apanhou com os u-u-h-u-h-u-h de Fader, já estava conquistado! Só com um álbum em carteira, a ansiedade fez o resto e os Temper Trap mostraram que os sons do outro lado do mundo não se fazem apenas em estúdio, mostram-se e sentem-se ao vivo. Love Lost encantou, Drum Song deixou-nos boquiabertos e Sweet Disposition foi o fim perfeito.

Pet Shop Boys God Damn it… Com playback ou sem playback o espectáculo foi brutal. Duas pessoas em palco, mais uns quantos bailarinos e muita cor mostram que é possível montar uma operação musical sem instrumentos e sem banda. Esse fenómeno não é novo, mas eles também não e nem por isso deixaram de estar ao mais alto nível. Apesar de toda a produção, não deixa de ser um concerto em festival, e por isso a escolha das músicas tenha recaído quase exclusivamente nos hits de maior sucesso. Mas são muitos, o que fez com que o extâse durasse todo o concerto. São canções que fazem parte das nossas vidas, ouvimo-las em todas as fases do crescimento e assim se constroem hinos. Os únicos momentos menos vividos foram as visitas aos temas do último álbum, mas ainda assim Love Etc, a segunda do concerto, é brutal! Não sei se os voltarei a ver e só por isso, valeu todo o grão de pó (deste dia)!

Sábado, 17 de Julho 2010

Julian Casablancas foi, com toda a certeza a desilusão do festival. Reconheço-lhe todo o valor nos Strokes e até consigo perceber a necessidade de ter este projecto a solo porque não o vejo como um prolongamento do que faz nos Strokes. Mas também já não tenho paciência para rapazes imberbes com a mania que são rebeldes. E achei engraçado o facto de Julian Casablancas a solo ser um conjunto maior que os Strokes. Estes são 7 em palco! Claramente bêbedo, pouco empenhado, tem a sorte de ser dotado para fazer boas canções e que estas se sobreponham a sua prestação mediocrezinha. Até acharia estranho ele não recorrer a temas dos Strokes para se amparar… Hard to Explain foi logo a segunda para acender o povo. Vá lá, não cedeu à tentação de ir buscar o Last Nite. Mas 11th Dimension é de facto um muito bom tema e nem a pouca iluminação do palco me impediram de a curtir à séria.

Hot Chip “Hello, we are Hot Chip and we’ve come from London” foi o mote para o início do concerto que mais esperava neste dia. São muitos em palco e tocam tudo ao vivo e todos tocam tudo e foi tudo bom! Numa noite que pertencia a meninos de Nova Iorque, os ingleses brilharam com o seu pop electrónico enriquecido pela voz característica do pequenote Alexis Taylor. Made in the Dark e One Life Stand estiveram na ribalta e puseram o Meco a dançar e até os que já esperavam os Vampire Weekend não resistiram ao groove imparável da banda. Soube mesmo bem depois do desaire do Julião! Voltem rápido, por favor, sou menina para vos ver Over and Over. James Murphy, põe os olhos nestes teus meninos porque o teu concerto no Alive ao pé deste parecia um ensaio de garagem…

Vampire Weekend quando os betinhos tomam conta de um festival. Sim senhor, há que lhes tirar o chapéu porque em dois anos evoluíram… e bem! Quem os viu no Alive!08 como eu, tem que concordar que o progresso foi grande e até merecem ser cabeças de cartaz ao segundo álbum de originais. É Verão mas, por acaso esta foi a noite mais fria do festival, contudo a banda nova-iorquina foi a receita ideal para aquecer o ambiente. Canções alegres, boa disposição a transbordar tornaram a nuvem de pó por cima do público ainda mais densa, tantos eram os pulos. Vampire Weekend fazem-me recuar à adolescência ao som dos Primitive Reason ou dos Sublime. Eu sei que não é a mesma coisa, mas o espírito despreocupado e a vontade de entrega ao ritmo é o mesmo e é genuíno. A-Punk, Cousins, Horchata, Oxford Comma ou White Sky, quer sejam músicas mais rápidas ou mais melodiosas são sempre sinónimo de férias, calor e relax… É quase impossível não gostar porque é cool. E os miúdos são fixes!

Domingo, 18 Julho 2010

Spoon Muita curiosidade para o ver, não os consegui ver quando vieram sozinhos. Directamente de Austin, Texas para serem importunados por uma acção de marketing de uma marca de carros que achou por bem pôr um avião a fazer piruetas e razias em cima do recinto… Distracções à parte, aos Spoon não lhes bastou terem um dos melhores álbuns de 2007 para conseguir cativar o pouco público que se juntava à frente do palco. O início inesperado com o vocalista a cantar sozinho no palco só acompanhado a guitarra foi pouco impactante e o rock nervosinho característico desta banda passou algo despercebido. Não desgostei até porque gosto muito da voz dele, mas vou ter que os ver outra vez para formar uma opinião!

The National Não chega para fartar… São sempre bons. Sempre discretos, sempre impecáveis, sensíveis e estupidamente amorosos. Não são banda de festival, muito menos de grandes palcos, mas a experiência está a fazer deles uns senhores e este foi o melhor concerto que lhes vi em festival. A entrada com Mistaken for Stangers foi inesperada, mas perfeita para agarrar uma audiência que, apesar dos 6 concertos por cá, não era na totalidade devota da banda. O álbum novo – melhor ainda depois de ouvido ao vivo – não escondeu os temas dos trabalhos anteriores e houve tempo para tudo. A melancolia ganhou vida e até o mais agressivo Abel pareceu menos ruidoso. Gostei particularmente do comentário de Matt Berninger quando afirmou “Prince is also very talented…”. Disseste-o bem, o artista é bom mas vocês, há que reconhecer, estão quase a chegar à consagração como grandes artistas também!

John Butler Trio Uma música não chegou para nem para aquecer o tímpano… Mais outro erro de casting… Para mim, este é um som bom para fim de tarde, after-beach, com o sol a arrefecer e não para fim de noite, principalmente não ao mesmo tempo de Prince… Não vi para além da primeira canção. Já os vi 2 vezes e o Prince chamava.

Prince Foi o nosso DJ por uma noite, na próprias palavras do cantor. Os homens não se medem aos palmos e não há palmos suficientes para medir as capacidades deste homem que passou a noite a declarar o amor por Portugal, mas ficámos sem perceber porque demorou 11 anos a voltar aqui… Ressentimentos à parte, o importante mesmo era aproveitar todos os segundos porque era time to get funky… Sem pausas, percorreu a sua longa carreira escolhendo a dedo os temas para esta noite. Rejubilei com Little Red Corvette e ansiei por um Raspberry Beret que não chegou. Ao invés, ofereceu-nos Cream, Kiss, Nothing Compares To You, muita conversa, dança e até tentou envagelizar um pouco. Sem sorte, virou-se para o fado com a Ana Moura depois da primeira pausa. Achei um mimo espectável, o fado acompanhado por Prince à guitarra envergonha os pequenos Amália Hoje mas também acho que só lhes ficava bem terem ensaiado um dueto para um original de Prince… mais uma vez, não se pode pedir muito num festival e o que tivemos foi bom. Quando se diz que veio a pedido da fadista, podíamos esperar um concerto com menos entrega e não me parece que tenha sido isso que aconteceu. O oscarizado Purple Rain pintou de púrpura o fim do concerto e o começo do inferno para muita gente na saída do festival.

Empire of the Sun Uma produção gigantesca para uma banda que tem um álbum, é obra. Sinceramente não esperava que ficasse tanta gente para os ver, mas a curiosidade era grande! Um misto de azeiteiro com beats electrónicos esquizofrénicos fazem os encantos destes australianos que não têm muito para oferecer senão manobras de diversão sobre a própria música. Claramente influenciados pela ficção científica daqueles artistas de rua que pintam paisagens místicas com latas de spray, conseguem aspirar ao mais intrínseco piroso que existe. Ainda assim, têm boas músicas para pôr o pessoal a mexer que, no fundo é o que se quer. Principalmente quando sabíamos bem o que nos esperava no exterior do recinto.

1 comment:

Mário David Silva said...

o.Ô
Que surpresa! Se eu fosse ao SBSR, Julian Casablancas era, sem margem de dúvidas, uma das bandas que queria ver. Esperava algo de inesquecível por parte de Julian, nunca me passaria pela cabeça que fosse o flop do SBSR.
De resto, e pelo que li, foi de encontro ao que tinha imaginado.

Muito obrigado por esta viagem mental pelo SBSR.

Abraço