Wednesday, June 23, 2010

Cartas do Anónimo


Há uns quantos dias atrás fui portador de um envelope com 3500€ (em notas de cinquenta e de vinte). Depois de ter levantado o dinheiro no banco prossegui com as minhas habituais actividades. Fui directo para a praia e enquanto andava despreocupado pela areia, o envelope gordo ficou a descansar no carro morno. Andei e voltei para trás. Pensei no dinheiro claro, mas com aquele chouriço não podia sequer dar um mergulho que fosse. Por isso, e já que não havia ondas, ao menos um mergulho. Quando cheguei ao carro, apalpei com suavidade o envelope e, pelo volume apresentado, percebi imediatamente que o dinheiro que lá estava era o mesmo que eu tinha levantado no balcão do banco. Pacífico, fiz-me à estrada e regressei a casa. Só quando já estava a meio de um lanche tardio é que me lembrei que no carro ainda repousavam os 3500€. Parei por brevíssimos instantes mas tinha muitas coisas a fazer. Comi, fiz o que tinha a fazer, tomei banho, vesti-me e aí sim, desci para a rua ao encontro do meu carro. Abri a porta, sentei-me e com elegância olhei perifericamente o molho empacotado. Na mesma. Sem um arranhão. Liguei o carro e segui para onde me competia. Sempre com a estranha sensação de que estar com aquilo no porta-luvas ou estar com um mapa das estradas de Portugal era quase o mesmo.

Quando chegou a hora de cerrar os olhos, constatei que de facto há coisas que o dinheiro não compra. Nem mesmo em numerário...

Splenn United, In Peak Fitness Condition

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