Friday, May 28, 2010

Been There, Done That | Jamie Cullum

O jazz pode fazer pop

Não é jazz, não é puro pop nem mesmo rock. Mas tem de tudo. O one man show, ainda que muito bem acompanhado por bons músicos, entra em palco composto e bem vestido, de gravata e tudo. O piano vibrou e o mais recente álbum, The Pursuit, começou a ser desvendado a bom ritmo. O público dividia-se, não só em idades, desde os 8 até aos 80, mas também em fãs histéricos e fãs contemplativos. Jamie à terceira música já tinha arregaçado as mangas, tirado a gravata e acabou por tirar a camisa para adoptar o estilo urbano-rebelde. Sempre simpático foi muito bem acolhido pelo público português que o adora claramente. Aliás, como o ele próprio afirmou, Portugal foi o único país onde The Pursuit chegou a primeiro lugar no top de vendas.

Continuamos com o pequeno problema das palmas e estamos cada vez piores com a mania de captar todos os pormenores com os telemóveis… É que já há pessoas a ver um concerto através de um ecrã de telemóvel… estão mais preocupados em captar imagens de má qualidade que mais tarde acabam sendo os vídeos que evitamos a todo o custo no youtube. Mas ainda há quem se divirta e sinta o concerto na sua totalidade.

O grande enfoque do músico-compositor foi o álbum novo, mas as grandes expectativas do público eram as canções mais antigas, tanto as mais animadas, como as mais silenciosas. Foi um concerto repleto de momentos e o primeiro foi com What a Diference a Day Made que, quase posso jurar, se ouviu por toda a área da baixa lisboeta. Cullum não parou quieto em palco pulando do piano para o microfone ou para os sintetizadores sempre muito comunicativo. E também não faltaram os saltos vertiginosos do piano!

O clímax foi quando Jamie desce à plateia e se instala a meio da sala, pedindo autorização para se sentar no lugar de uma senhora, para juntamente com a banda que o acompanhou dar um mini-concerto dentro do seu próprio concerto. Cry me a River de Fitzgerald fundiu-se com o Cry Me a River do Timberlake em tom acústico por um Jamie cheio de fôlego. A volta para o palco gerou o motim no Coliseu que viu o público adensar-se na frente de palco ignorando divisões de balcão ou plateia. Houve a primeira tentativa de despedida, mas depois disso ainda voltou 2 vezes. Conseguiu voltar para casa sem cantar alguns dos grandes êxitos, o que a meu ver é corajoso e revela personalidade. Já não é o Cullum do Everlasting Love que em má altura o fez colar-se ao Bublé. O homem com cara de puto cresceu e prova sem margem para dúvidas que sabe juntar, melhor que ninguém, o jazz ao pop e ao beatbox. Terminou em grande com o lindíssimo Gran Torino.

Cinco estrelas.

Só assim não me arrependo de ter faltado a XX.

Jamie Cullum, Gran Torino


Local: Coliseu dos Recreios

Data: 25 de Maio 2010

2 comments:

Cláudio said...

Musica linda *.*

Anonymous said...

Eu estive lá! Gostei muito do post... Este blog está um belo trabalho! E é verdade sim senhora que temos que controlar as palmas pelo menos nos momentos mais íntimos como o "Cry me a river" que exigia silêncio... Mas foi bonito o Jamie sair do palco e todo o público continuar a cantar sem música nenhuma. Que volte bem depressa a Portugal!