Wednesday, March 31, 2010

Cartas do Anónimo



Ele sabia que tinha que andar para lá chegar. Empacotou algumas bolachas e fez-se ao caminho. Deixou a porta encostada para não levar o peso das chaves no bolso onde poisava a mão. Seguiu pelo único carreiro que conhecia até à estrada principal. A estrada da velocidade e dos carros obedientes ao destino. Berma ou campo? Pela berma não tens que pensar. Basta seguir os sinais. Escolheu o campo. Saiu da estrada e foi descansando os sentidos à medida que entrava no infinito. Na paz. Estava feliz por ter decidido o caminho que o fazia sorrir. E no primeiro cruzamento de linhas que encontrou, apreensivo, escolheu a esquerda. O lado onde o sol brilhava mais forte.
Tal como as formigas, não era o doce açúcar que ele mais desejava. Se o encontrasse pelo caminho não o comeria. Apenas o utilizaria para alimentar aquilo que lhe dava forças para continuar. Continuar o caminho até lá chegar.


Piano Magic, Recovery Position

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