Thursday, March 11, 2010

Been There, Done That | Owen Pallet


A fantasia do loop orquestrado

O Maria Matos encheu-se ontem para ouvir o engenho de Owen Pallet. Foi um concerto curto mas repleto de momentos… inquietantes, serenos, bonitos sem nunca ser aborrecido. A simplicidade das duas pessoas em palco contrastava com a riqueza instrumental que se ouvia num teatro em silêncio para apreciar a engenharia de materiais que o canadiano ostenta. A aeróbica é capaz de nunca ter sido um problema para este rapaz, que se mostra perfeitamente à vontade na coordenação de pés, para os pedais, de mãos, para o violino ou sintetizador, boca para cantar e cabeça para articular meticulosamente todas estas partes que são o tronco da sua música.

O ambiente não foi suficientemente quente, não houve grande interacção de e com o público, que mais uma vez mostrou a péssima vocação para bater palmas em todo e qualquer momento de silêncio após a música terminar, ou mesmo antes. Pessoas, não podem bater palmas por tudo e por nada. Fica feio, é estúpido e não significa nada. [Acho que já aqui tinha falado do quanto odeio palminhas].

Costumo dizer que em concertos o mais importante não é necessariamente ver o que se passa em cima do palco, mas sim sentir a força de estar ali no momento em que os instrumentos tocam ao vivo – aí reside a diferença maior entre estar num concerto ou num sofá a ver um DVD, onde se observa muito melhor o que se passa acima das cabeças do público. O concerto de ontem é uma excepção a esta ideia porque ali tudo é espectáculo, não só a música em si, mas também o modo como ela vai sendo construída à nossa frente, sem recurso a cortes. É como se fosse se a música entrasse em velocidade cruzeiro a certo ponto e daí em diante os loops constantes dos vários sons conjugados fazem crescer a canção. São pormenores muito curiosos que Pallet faz questão de mostrar durante o concerto e que valem a pena observar.

Mais uma vez se mostram as novas maneiras de apresentar música. Duas pessoas apenas em palco, uma parafernália de instrumentos maioritariamente digitais e mesmo assim não deixa de surpreender. Aliás, o concerto não começou sem antes Pallet pedir para aguardarmos até o computador ligar. Agora, mais do que não partir cordas, é preciso desejar que o computador não precise de CTRL+ALT+DEL a meio de um concerto. Abençoados Mac….

Toca hoje no mesmo local!

Muito obrigada A, pela lembrança e pela oportunidade de ver este concerto esgotadíssimo! beijooo

Owen Pallet (Final Fantasy), This is the Dream of Win and Regine


Local: Teatro Maria Matos
Data:10.03.10

No comments: