Tuesday, September 29, 2009

Been There, Done That

Green Day, Pavilhão Atlântico, 28 Setembro 2009

Nem sei por onde começar a escrever sobre um concerto onde se passou de tudo um pouco. Espectáculo ou circo serão bons termos para ilustrar o que se viveu ontem no Pavilhão Atlântico, que recebeu os Green Day. Mas comecemos pela introdução necessária: nove anos volvidos desde a primeira aparição dos Green Day em Lisboa, no Coliseu e depois da incumprida promessa que voltariam em breve, eis que chegam com toda a carga, prontos para deslumbrar e wow us.

Depois de uma primeira parte dos Primma Donna que serviu para atiçar a massa adolescente presente no pavilhão, os Green Day entraram em palco a matar com “Know Your Enemy”, o single do último trabalho, e que deixou a multidão em histeria total. O barulho era ensurdecedor e as explosões pirotécnicas ajudavam à festa, e muito! As cartas estavam lançadas para um concerto que prometia ser mesmo de arromba. A comunicação com o público foi desde logo estabelecida e bem concretizada quando Billie Joe começou a escolher aleatoriamente pessoas do público para subir ao palco. Empurrões, cotoveladas, pontapés... tudo valia para ser o escolhido para subir lá acima e dar um abraço ao ídolo. O espectáculo era total e tudo servia para agarrar o público que se entregou de alma e coração aos estímulos da banda, desde as imagens que iam passando, até à simpatia e energia de Armstrong, passando pelas explosões e os stage-divings proporcionados aos fãs para os expulsar de palco (foram vários). Era todo um circo pensado para não acalmar o mar de gente que enchia a plateia.

O primeiro momento arrepiante foi em “Boulevard of Broken Dreams” quando o vocalista se calou por ter ficado extasiado com a potência vocal dos milhares de fãs devotos. Billie Joe não conseguiu conter o I Love You no fim da canção, claramente emocionado com o carinho. Seguiu-se a viagem a 1994 para relembrar os temas do velhinho Dookie, o responsável por lançar os Green Day no mainstream. Reviveram-se as velhas rodinhas de mosh em “Welcome to Paradise”, “Longview” foi cantada na íntegra por um fã puxado da plateia, que se apresentou muito à vontade em palco sabendo a letra inteira, meio tremida, claro está! A multidão entrou em delírio com o “Basket Case” que, tal como no álbum, antecedeu o “She”. Ao fim de uma hora de concerto, Armstrong achou que estava na hora do cooling down e resolveu sacar das pistolas de água e dar banho aos fãs fervorosos das filas da frente, mas não faltou o papel higiénico a seguir e ainda disparos de t-shirts, não fossem eles constiparem-se!

Depois do descanso dos fãs, o descanso dos guerreiros, que, deitados no chão homenagearam alguns dos principais inspiradores da banda. Um pequeno medley onde incluiram “Break on through to the Other Side” dos Doors e “Satisfaction” dos Rolling Stones. Voltando à carga com “Minority” aproximava-se o momento que nos encheu de orgulho que foi ouvir o líder da banda a gritar You are so much better than the americans. Sabemos que não é difícil, mas nunca ninguém tinha sido tão frontal e soube bem ouvir!

O primeiro encore deu-se ao som de ”American Idiot”, mesmo a calhar depois daquela frase que foi seguida pelo casting à procura de um guitarrista para “Jesus of Suburbia”. O jovem fã lá subiu ao placo, traçou sobre o peito a guitarra de Billie Joe e tocou a música inteira, aliviando o vocalista dessa tarefa. Provavelmente presenciámos um momento de viragem na vida daquele miúdo que, qualquer dia forma uma banda inspirada nos Green Day!

O concerto aproximava-se do fim inesperado porque a promessa, mais uma não cumprida, era de 3 horas de concerto. Billie Joe desapareceu do palco depois de cantar “Last Night on Earth” e o sentido “Good Riddance (Time of your life)”. Enquanto todos esperavam a volta para as perdidas “When I Come Around” e “ Wake Me Up Before September Ends” as luzes acendem e passam estas a ser as ausências da noite.

Há que se lhes tirar o chapéu. São muito bons ao vivo, sabem quem têm à frente e sabem como divirti-los e tirar disso o maior partido. Nove anos fizeram a diferença, cresceram, amadureceram, passaram por uma fase menos boa mas provaram ontem à noite que estão a viver um novo ciclo, e bem positivo.

Não posso deixar de salientar, uma vez mais a péssima qualidade de som do Pavilhão Atlântico que já não é novidade para ninguém, mas é que chateia muito. É mau, mesmo mau.

Ah... e também é impagável ouvir a minha sobrinha dizer “Obrigada tia, foi a melhor prenda de todas. Foi o concerto da minha vida”. Não tens que agradecer e ainda vais ter muuuuitos mais, comigo espero!

Green Day, Welcome to Paradise

4 comments:

PWFH said...

Não deixou de ser um bom concerto, visto de outra forma em relação ao primeiro há 9 anos atrás.

Ficou muita coisa por tocar:
- "2000 Light Years Away"
- "My Generation"
- "When I Come Around"
- "Nice Guys Finish Last"

... e gostaria muito de ouvir o "Misery" ao vivo.

O som estava como de costume bastante merdoso, e acho que o Billie Joe abusou um bocado dos ehhhh ohhhhh's mudando radicalmente desde a última vez que os vi. Não vou dizer que foi uma decepção, pq não foi, mas não estava à espera de um concerto feito tão à medida da miudagem.
Eu cresci desde que em 1992 ouvi o álbum Kerplunk pela primeira vez, mas bem lá no fundo tinha uma secreta esperança que ele não. Mas cresceram, são mais experientes, mais completos, mais músicos, aquela "crueza" de garagem de outros tempos foi-se e deu lugar a uma boa banda de rock que sabe estar num palco e cativar o seu público e agora num outro nível (mais de estádio cheio) sabem como montar um espétáculo.

R2D2 said...

Mariana,
Vejo que foi um grande espectáculo e que os rapazes sabem dar concertos.
Parabéns, mas mesmo muitos parabéns, pelo texto. É que até parece que estive lá só por te lêr.

Coccinella said...

Foi maravilhoso mesmo. Memorável. Não esperava mais. Acima de tudo, não esperava tanto. Adoro ser surpreendida, muito pela positiva. Been there, done that ;) Já não morro sem os ter visto

Catarina said...

e pronto, mais um concerto, e mais virão aí pela frente. E sim, tenho de agradecer a tua companhia, porque não é toda a gente que tem o previlégio de ir a um ocncerto com a tia, que por sinal, é uma tia fantástica :)
Mais uma vez obrigado, e quem me dera estar lá ainda :D