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Monday, July 12, 2010

Been There, Done That | Optimus Alive!10


Não vou dividir, nem por palcos, dias, nem mesmo por géneros. O cartaz prometia um grande espectáculo, reunia novos e veteranos (como já vem sendo hábito) num espaço amplo, urbano e tudo seria perfeito não fosse a vontade quase gananciosa de esgotar o festival, o que acabou por acontecer. A gestão das entradas foi caótica, o espaço esteve longe de responder às necessidades da multidão que a organização deixou lá entrar e, por algumas vezes, a escolha de palcos para algumas bandas foi muito mal feita.

Comecemos pelo princípio… Já frequento festivais há mais de dez anos, muitos, e este tem duas particularidades: é um espectáculo urbano e é durante a semana. Se já é difícil chegar a horas para alguns concertos que começam às 17h, por não ser compatível com alguns trabalhos, mais difícil se torna quando a organização desorganiza… A enchente ao fim da tarde do primeiro dia neste festival já é conhecida, logo já deviam ter aprendido a lição e ter arranjado uma maneira de aligeirar esta situação. Pelo contrário, este ano conseguiram piorar. Ter uma dúzia de pessoas a colocar pulseiras à hora de entrada não é bem pensado. Aperceberam-se disso tarde, deixando adensar as pessoas, provocando muito descontentamento. afinal de contas, as pessoas já estavam a perder concertos. O prelúdio estava escrito e já se adivinhava um festival que tinha tudo para correr mal. E, de uma maneira geral, correu.

O cartaz era rico, mas sem condições dificilmente se tornaria “o melhor festival do ano”. Acredito que o “esgotado” tenha pesado e até apressado alguns procedimentos que falharam, como a logística de entradas e depois a distribuição da multidão pelos palcos. O palco Optimus não tem falta de espaço, mas o Super Bock foi visivelmente pequeno para algumas actuações. E este facto poderia ter sido antevisto porque alguns nomes, não sendo ainda “grandes” estão muito na moda, pelo que a adesão seria grande.

O resultado foi um primeiro dia riquíssimo no palco Super Bock com o trilogia Florence and the Machine, The XX e La Roux e muito poucas condições para albergar o público que se amontoava pela zona das comidas e até empoleirado nas estruturas metálicas da tenda. Isto enquanto o palco Optimus transbordava espaço que só foi ocupado quando chegaram os Faith No More.

Nestas condições a única solução era confiar mais na audição do que propriamente na visão, já que “ver um concerto” era tarefa difícil. Florence deu um concerto entusiasta, como se esperava depois da actuação na Aula Magna. Os The XX provaram não ser banda deste tipo de concerto. Perdeu-se o intimismo e o som estava deplorável, com os graves a fazerem ressonância em demasia para uma banda que vive dos tons baixos. La Roux lá apareceu, depois de 2 tentativas falhadas, e só por isso valeu a pena, deu um bom concerto onde agarrou o público à primeira música com “In for the Kill” e “Quicksand” a abrir as hostes. Do outro lado do recinto os Alice in Chains do século XXI fizeram-nos recuar muito fielmente aos anos 90. Confesso que esperava mais do nosso público neste concerto, mas parece-me que a febre das bandas recentes fez cair no esquecimento esta banda. Mas músicas como “Them Bones”, “Man in the Box” ou “Would” serviram para provar a capacidade de William Duvall relembrar na perfeição os tempos áureos dos Alice in Chains de Layne Staley. A fechar a noite, os Faith No More repetiram a dose do Sudoeste do ano passado e deram um bom concerto com direito a mais português, por vezes não tão simpático quanto era desejado! Não fui a Calvin Harris nem vi os Faith No More até ao fim porque o bom senso dizia que tinha que sair dali antes da debandada final… e, pelo que soube posteriormente, foi o melhor que fiz!

No Sábado já se entrava bem e foi o dia mais “calmo” em termos de multidão, em oposição aos sons que por lá se ouviam. Regresso ao passado pesado e tempo de recordar algumas bandas queridas do público português nos anos 00! Os Manic Street Preachers tiveram a grande entrada com o “Motorcycle Emptiness” não deixando lugar a vazios nem tão pouco a quebras de energia. O público não foi muito porque à mesma hora começavam os Gossip no lado oposto do recinto. E estava encontrado a primeiro de muitos disparates da divisão de palcos... Os Gossip já tinham transbordado o palco dito secundário quando cá estiveram em 2008 e mesmo assim não serviu de emenda… Seriam precisos 3 ou 4 recintos daqueles para albergar toda a multidão que ali se condensou, ou seja, mais valia terem tocado no palco principal e provavelmente teriam tido mais público que os Mão Morta… Falhas de logística à parte, foi um bom concerto cheio de energia e muito power. Beth Ditto sabe bem como agitar as pessoas e, ao mesmo tempo, enternecer. O ponto alto foi a cover de “What’s Love Got To Do With It” de Tina Turner, não esquecendo o potente “Pop Goes The World”. Já antes, os New Young Pony Club tinham aquecido os trainees para Gossip, mas confesso que gosto mais deles em álbum do que ao vivo. Skunk Anansie não acrescentaram nem um ponto à sua performance desde há 10 anos. Mas a receita resulta porque os êxitos continuaram a ser vividos da mesma maneira. Deftones e Chino Moreno reactivaram os mosh-pit, mas pouco porque mesmo assim os fãs de sempre já entraram nos 30... e a vitalidade já não é a mesma... Mas os sonantes “Shove It” ou “The Knife” andaram por lá, mesmo com músicas novas para oferecer.

O grande dia chegou no Domingo e a grande enchente, como já se esperava, começou a dar-se logo desde cedo com as filas de entrada outra vez a criarem má imagem à organização. A noite estava reservada para a aguardada e ansiada volta dos Pearl Jam a Portugal. Assim, só tive tempo de espreitar os Big Pink no palco Super Bock que não deslumbraram. Havia que rumar até ao palco Optimus para reservar lugar. A travessia do recinto era feita a muito custo, as filas para comer eram gigantes e as pessoas pareciam baratas tontas à procura de rumo. O grande momento chegou um quarto de hora depois da hora marcada, quando os Pearl Jam entraram em palco com "Release" - uma música pouco comum nos concertos da banda. Seguiu-se uma sequência de alguns temas bem conhecidos do público até à primeira interacção. Eddie Vedder, sempre munido da sua habitual cábula e a falar o português possível, mostrou-se contente por estar de volta, por acabar a tour aqui, mas sempre num tom saudosista que nos deixou quase comovidos! À sexta música desvendou "Unthought Known", a primeira incursão ao mais recente Backspacer que acabou por não ser muito revisitado neste concerto. Um espectáculo onde não faltaram os incontornáveis "Daughter", "Even Flow", "Alive" e "Betterman", mas que surpreendeu com "Glorified G", "Why Go" e até "Black". Muito centrado nos álbuns que fizeram os Peal Jam, foi um concerto muito emotivo, talvez o mais sentido de todos os que vi (e este foi o 8º), que teve o seu auge quando Eddie Vedder nos presenteou com a canção improvisada "Portugal, Portugal" onde, entre outras coisas, diz que gostava de cá viver! A conversa do "este é o último concerto em muito tempo, por isso vamos curti-lo ao máximo" deixou um sabor nostálgico que acabou por pautar toda a actuação. Ainda houve tempo para nos pedir que surfássemos por ele porque voltaria para casa no dia seguinte. A reedição do Ten há pouco tempo poderá ter incentivado um concerto old-school. Esperemos que seja isso e não um fecho de um ciclo, que não queremos que tenha fim...

Nunca percebi porque é que acharam que por LCD Soundsystem depois de Pearl Jam seria uma boa ideia e lá tive a certeza que não foi. E eu gosto de LCD, não me interpretem mal. Mas a grande maioria das pessoas debandou no fim de Pearl Jam e a frente de palco estava despida para assistir ao que se diz ter sido o último concerto de LCD, enquanto banda. O concerto foi fraco, muito fraco quando comparado com o que que deram há 3 anos no Super Bock Super Rock. A voz de James Murphy não estava nos melhores dias e o som, forma geral não estava nas melhores condições. Uma horinha de concerto muito centrado no último álbum soube a pouco e faltou o "Someone Great"... "See you later in the year" foi a despedida de James Murphy deixando antever um regresso...?

O balanço não é positivo. Gente a mais prejudica os concertos. Fica o sentimento que não se viu muita coisa no meio do pó e distracções várias. Venha o próximo.


Pearl Jam, Portugal Portugal (live@Optimus Alive)

Wednesday, July 15, 2009

Been There, Done That




Dia 1 – 9 Julho 2009

Dia de metal no palco Optimus – não, muito obrigado. O alvo foi o palco Super Bock que prometia um fim de tarde/ noite alternativo bem melhor. Comecei pelos Delphic que tocaram numa hora inglória para o tipo de música que praticam. O concerto poderia ter sido melhor se tivesse sido mais tarde, quando as luzes pudessem criar o ambiente de pista de dança. Cheguei à conclusão que os portugueses são uns moles e só se conseguem soltar à noite ao som do “barulho das luzes” – ali só dançavam os estrangeiros! Não me desiludiram, mas também não deu para os apareciar à séria, se bem que as músicas me pareceram bastante grandes, o que as tornava por vezes, repetitivas.

TV on the Radio continuam bons e altamente viciantes em concerto, apesar do som não me soar nas melhores condições, um som esquisito... Mesmo sem grande interação com o público, foram muito eficazes e fizeram os encantos dos Incógnito addicts que por lá andavam (eu incluída)!

Klaxons, uma surpresa. Já os tinha visto há dois anos e já deu para notar a diferença de atitude, postura e até de som. Levaram o pessoal ao rubro com os êxitos de “Myths of the Near Future” e ainda nos presentearam com alguns inéditos, que a soarem tão bem em álbum, como ao vivo, temos boom garantido para o próximo trabalho! Dinâmicos, coloridos e eléctricos saíram ao fim de hora e pouco de concerto perante um público satisfeito e alegre.

Foi a altura em que me movimentei para o palco Optimus para espreitar os Metallica que já tinham começado. Nada a acrescentar a este concerto comparativamente aos outros 2 que já vi deles... Não há dúvida que são muito bons ao vivo, que dão um grande espectáculo, mas para quem não é fã incondicional chega perfeitamente ver uma vez. Aliás o engraçado foi perceber que ao fim de três anos seguidos em Portugal já se dão ao luxo de tocar músicas do fundo do baú. É bonito, os fãs agradecem não ouvir sempre as mesmas que toda a gente conhece. Houve tempo para nos chamar “Grandas malucos” enquanto o palco cospia fogo para o ar. Três anos consecutivos em Portugal é bom que saibam dizer mais do que obrigado ou boa noite. Boa, James!

Ainda consegui dar um pulo outra vez ao palco secundário para ver um bocado dos Crystal Castles que não me encheram as medidas para falar verdade verdadinha. Som muito plástico, pouca música e muito barulho com muito grito e pouca essência. Fui para casa porque avizinhava-se um dia de trabalho poucas horas depois.

Klaxons, Not Over Yet


Dia 2 – 10 Julho 2009

Sexta-Feira de doidos e a correria entre palcos começou logo mal porque não consegui chegar a tempo de Gaslight Anthem. Vi um pouco dos Eagles of Death Metal que nunca me despertaram grande interesse, mas depois da actuação tão efusiva, simpática e repleta de rock n’roll, se calhar vou reconsiderar! Os The Kooks estiveram muito bem e não desiludiram o público que era muito, participativo e que dançou a bom ritmo o She Moves Her Own Way e outros êxitos.

Os Does It Offend, Yeah eram uma das bandas que mais queria ver neste festival, mas acabaram por me desiludir um pouco. Um concerto cheio de energia de facto, mas soou muito mais a DJ set do que propriamente a concerto. Conseguiram agarrar o público, mas a mim não me encantaram, esperava mais.

Placebo tiveram um sabor a adolescência. Já não consigo precisar quantas vezes vi Palcebo ao vivo, mas foram muitas e algumas muito boas. A vivacidade já não é mesma, os gostos já diversificaram e as expectativas já são outras. Alguns temas antigos por lá perdidos numa actuação algo distante e fria, seriviram para acalentar a multidão, mas não chegaram para cobrir os tempos gloriosos desta banda.

Passo apressado até à outra margem, aquela mais alternativa para umas colheradas teatrais de Fischerspooner. Bolas! Não devia ter demorado tanto tempo a chegar porque o bocadinho que vi foi suficiente para perceber o brilhantismo (literal) deste senhor em palco. Quero mais, se faz favor.

Prodigy, o momento alto. Sim, ja não fazem álbuns como os anteriores, já estão velhotes e um tanto ou quanto desgastados, mas garra ninguém lhes pode negar. Ainda são capazes de superar expectativas e oferecer um espectáculo capaz de deixar qualquer um boquiaberto e claro, sem fôlego. Foi a terceira vez que os vi e garanto, não é demais. B-R-R-R-U-T-A-L.

Corridinha já arrastada para Ting Tings e esta foi a boa surpresa da noite! Muito bons. Katie encantou e o público vibrou. Great DJ logo no ínicio pôs toda a tenda a dançar e a cantar alto e a bom som. Ainda houve tempo para um ler um textinho em português para notar que estava muito contente por estar ali. Nós também estávamos contentes por tê-los connosco e até o concerto pareceu curto para tanta animação. E pronto, era tempo de ir pregar para outros lados porque para zombies já bastávamos nós!
Ting Tings, Great DJ


Dia 3 – 11 de Julho 2009

Último dia, tempo de chegar mais tarde para começar com Chris Cornell. Já aqui tive oportunidade de dizer que o grunge é uma parte do que eu sou, por isso este senhor não me passou ao lado nos tempo áureos dos Temple of the Dog e Soundgarden. Desilusão (da grande) foi o seu último trabalho. Mas felizmente o concerto passou ao lado do álbum novo e manteve um registo muito old school e foi o melhor que fez. Perdia-se num palco tão grande até porque a idade já não ajuda, mas a alma grunge baixou em Algés neste príncipio de noite com músicas como Hungerstrike, Black Hole Sun e Spoonman a marcar o ritmo.

Dos Black Eyed Peas não me pronuncio porque a minha alergia, só de mecionar o nome, começa a atacar-me. Um autêntico flagelo. Rapidamente corri para ver AutoKratz que tiveram, provavelmente, o menor público de todos os concertos a que assisti, mas que nem por isso estavam menos animados. Actuaram como se tivessem uma audiência de milhares num palco minimalista onde se destacava o computador Mac. De lá saía um som muito, mas muito electrónico que a dupla acompanhava a um ritmo frenético e quase descontrolado. Mas o público daquela noite não era amante destes ritmos e isso foi notório mediante a pouca adesão a esta actuação.

O grande nome esperado era Dave Matthews e a sua Band e entre Lykke Li, que vi há pouco tempo, escolhi rever a banda americana. É um conjunto de bons músicos que num todo fazem uma grande festa. Fica-me a dúvida se terão sido boa escolha para fechar um festival deste género porque ao fim de tês dias o cansaço aperta e três horas de concerto, com muitos solos pelo meio, não é o melhor dos defechos. A euforia há muito esgotada deu lugar a corpos inertes que já só se abanavam sem ritmo. Os temas novos misturados com os clássicos da banda formaram uma playlist bem construída para um grupo que tem uma maneira muito própria de dar concertos porque consegue criar um ambiente intimista, mesmo perante grande plateias.
Soundgarden, Spoonman


E o Alive09! ficou por aqui, para o ano há mais entre os dia 8 e 10 de Julho de 2010 com um cartaz, esperemos, ainda melhor!