O espaço que se segue é da inteira responsabilidade deLady oh my Dog!
Tinha vinte e três anos, quatro meses e dezassete dias quando o meu namorado me mostrou esta música. Estou a brincar. Mas foi aos vinte e três, sim.
A vida tem vários problemas e um deles, bastante grave até, é a associação que fazemos entre músicas (em casos mais obsessivos, álbuns inteiros) e pessoas. Tenho arquivados alguns casos que por muito que tente, não vai dar, é como quando uma bola de plasticina de uma cor se agarra a outra, aquele amarelo nunca mais será o mesmo, vale mais amassar até obter um uniforme alaranjado-tijolo-seco e fechar a latinha.
Vou no carro, ligo o rádio, está a dar, por exemplo (só por exemplo), vamos supor aquela, deixa cá ver, “Love will tear us apart” e lá se abre a janela pop-up de uma criatura que não tem jeito nenhum que me apareça em memória, muito menos musical, muito menos em “Love will tear us apart”, mas não tenho culpa e não posso fazer nada se não encolher os ombros e abanar a cabeça com pena de mim mesma por não ser inteligente a tempo inteiro.
Contudo, boas notícias - milagres às vezes acontecem. Estava a limpar o pó às prateleiras e como sou daquelas pirosas que à frente de uma fila de livros sempre arranja um espacinho para um bibelô ou outro, lá peguei num bambi de um Happy Meal para lhe limpar as orelhas, vai daí pensei “Do the Bambi” vai daí pensei “Stereo Total” vai daí pensei “Total Pop”, vai daí pus o CD a rodar et voilá. A coisa deu-se e a Movie Star passou a ser uma outra rememoração (pontos extra pela utilização deste bonito conceito) e era amostra contaminada, vejam lá. Não - ouçam lá. Assim é que é.
O espaço que se segue é da inteira responsabilidade do Pedro Rolo Duarte
Apaixonei-me pela música de David Sylvian no tempo dos Japan. Havia qualquer coisa de profundamente romântico e ao mesmo tempo visceral naquelas composições, e percebi que essa mistura provinha da figura de David Sylvian. Quando começou a carreira a solo, tornei-me admirador confesso. Não me lembro de antes nem depois ter tido este sentimento de admiração incondicional por quem quer que seja. Algures nos anos 80 fui surpreendido por uma paixão inesperada na minha vida. O primeiro filme que vi com essa... bom, com essa rapariga, éramos miúdos, chamava-se “Merry Christmas, Mr. Lawrence” – e nesse filme entrava David Sylvian e estava lá esta canção que escolhi. Achei que era um sinal que não devia desprezar. A canção, as canções de David Sylvian acompanham-me desde aí como um livro de cabeceira. Quando veio a Portugal, há 6 anos, comprei 3 bilhetes para a plateia do Coliseu. Queria estar sozinho, e à vontade, sem ninguém ao lado. Sentei-me no lugar do meio e ouvi ao vivo as canções da minha vida. Como esta.
David Sylvian & Ryuichi Sakamoto, Fordidden Colours
O espaço que se segue é da inteira responsabilidade de Leduck
"Enraged testosterone filled teens..." é a frase que figura no myspace deste grupo proveniente de Leeds, Reino Unido. Esta testosterona enraivecida é transformada por estes jovens numa musica estranha mas que entranha de tão bela que é. A voz lírica, o baixo potente ritmado que se ouve, a guitarra e o piano estratosféricos, a bateria que marca o ritmo crescente alucinante. É tudo tão bom, tão brilhantemente executado! A voz obviamente lembra-me logo Anthony & The Johnsons, mas é ainda melhor. O novo álbum dos Wild Beasts chama-se "Two Dancers" e dá continuidade a "Limbo, Panto". Dia 04 de Dezembro temos o privilégio de os poder ver ao vivo no Super Bock em Stock. Palmas para eles!
O espaço que se segue é da inteira responsabilidade deRodrigo Gomes
Resumindo: Los Angeles, 1992 mais coisa menos coisa, Sam Sparro tem 10 anos de idade, mais coisa menos coisa, e conhece a Chaca Khan, ela diz “Damn that white boy can sing.” Posto isto, está tudo dito.
O espaço que se segue é da inteira responsabilidade de Davi Reis
2+2=5 [The Lukewarm] - Radiohead
Are you such a dreamer? To put the world to rights? I'll stay home forever Where two & two always makes up five I'll lay down the tracks Sandbag & hide January has April's showers And two & two always makes up five It's the devil's way now There is no way out You can scream & you can shout It is too late now Because You have not been paying attention I try to sing along I get it all wrong 'Cause I’m not (2x) I swat 'em like flies but like flies the buggers keep coming back and NOT But I’m not "All hail to the thief" (2x) "But I am not!" (4x) "Don't question my authority or put me in the docks" Cozimnot! Go & tell the king that The sky is falling in When it's not But it´s not (2x) Maybe not (2x)
"2+2=5" é o título da música de abertura do álbum “Hail to the Thief”, sexto dos Radiohead, lançado em 2003. Não se esqueça desta informação. Será retomada adiante. 2+2=5 em 1984
A frase «dois mais dois perfazem cinco» é por vezes proferida como sucinta e vívida representação de uma afirmação ideológica, especialmente se criada com o propósito de manter e servir uma “agenda” doutrinada. O uso comum da expressão terá, porventura, sido popularizado por George Orwell na obra 1984 (Parte III, Capítulo II), quando contrastada com a proposição verdadeira e matemática da frase «dois mais dois igual a quatro». O protagonista de Orwell, Winston Smith, questionando-se sobre a possibilidade de o Estado declarar que dois mais dois perfazem cinco, e de que, se todos puderem crer em algo semelhante, o facto torna-se real, repensa a frase vezes sem conta. No início do livro, Winston escreve, no diário comprado clandestinamente ao velho Charrington, a um canto da casa, fora do alcance visual perscrutante da teletela: «Liberdade é a liberdade de dizer que dois mais dois perfazem quatro. Se tal estiver garantido, tudo o resto se segue.» Mais tarde, Winston serve-se novamente do mecanismo de duplipensar tentando convencer-se de que a afirmação é verdadeira. Orwell já escrevia sobre o conceito “2+2=5” antes da publicação de 1984, cujo parto, como se sabe, se deu durante o ano de 1948, donde se extraiu o título, por inversão dos dois últimos números. Durante o período em que trabalhou na BBC, familiarizou-se com os métodos da propaganda nazi. Num ensaio sobre a Guerra Civil Espanhola, publicado quatro anos antes dos trabalhos de “1984”, Orwell escreveu: «A teoria nazi nega especificamente que tal coisa como “a Verdade” exista. […] O objectivo implícito desta linha de pensamento é um mundo de pesadelo no qual o líder controla não apenas o futuro, mas o passado. Se o líder disser que este ou aquele acontecimento nunca aconteceu, então não aconteceu. Se ele disser que dois e dois são cinco – bem, dois e dois são cinco. Esta perspectiva assusta-me muito mais do que bombas […]»
Segundo a quase totalidade dos biógrafos de Orwell, a provável origem da ideia reside no livro “Assignment in Utopia”, escrito pelo jornalista e historiador Eugene Lyons, reportando-se a quando esteve na União Soviética. Num dos capítulos, titulado “2+2=5”, a expressão é explicada, ganhando paralelos históricos, factuais, tão reais quantas as possibilidades que 1984 viria a levantar - “2+2=5” fora um slogan usado pelo governo de Estaline, prevendo que o plano de cinco anos para o desenvolvimento da economia russa estaria completado em quatro anos. No entanto, Orwell pode também ter sido influenciado pelo Reichsmarschall nazi Hermann Göring, que, certa vez, numa hiperbólica demonstração de lealdade a Hitler, declarou:
«Se o Führer quiser, dois e dois são cinco!»
2+2=5 segundo Dostoevsky, Victor Hugo e a cultura pop
Nas “Notas do Subterrâneo” de Fyodor Dostoevsky, o protagonista apoia implicitamente a ideia de que dois e dois são cinco, em sucessivos parágrafos onde se consideram as implicações de rejeitar a afirmação «dois mais dois são quatro». Dostoevsky escrevia em 1864. No entanto, de acordo com Roderick T. Long, Victor Hugo fez também sua a frase, em 1852, objectando a forma como uma vasta maioria de votantes franceses apoiou Napoleão III, dando cobro ao modo como os valores e as causas liberais haviam sido até então ignorados pelo líder. Victor Hugo disse: «Agora, ponham sete milhões e 500 mil votantes a dizer que dois e dois perfazem cinco; que a linha recta é a estrada mais longa; que o todo é inferior à soma das partes. Façam-no ser declarado por oito milhões, dez milhões, cem milhões de votos, que não terão avançado um único passo.» O conceito foi ainda explorado num episódio deStar Trek: The Next Generation, "Chain of Command," no qual Picard é torturado por um Cardassiano. A reminiscência de 1984 é clara à luz de uma cena onde O'Brien, o torturador de Winston Smith, levanta quatro dedos e lhe inflige descargas eléctricas dizendo que são cinco os dedos que levanta.
- Quatro! Cinco! Seis! Eu não sei!
Radiohead e Orwell
"The Lukewarm" é o título alternativo da música “2+2=5”, dos Radiohead, cuja letra se encontra à cabeça do post. Todas as músicas do álbum “Hail to the Thief” têm dois títulos – um deles apelidado “alternativo”. Toda a canção (último single do álbum) contém múltiplas referências ao livro Nineteen Eighty-Four (1984), de George Orwell. No título (2+2=5), a referência à problemática psicológica que o protagonista, Winston, enfrenta; no subtítulo, a alusão à condição manietada, quebrantada, em que Winston é simplesmente deixado ir, no final do livro; e a frase “Question my authority or put me in the docks”, que se refere ao tribunal conhecido como “the docks” no enredo… O termo “hail to the thief” surge como trocadilho para a expressão comum “hail to the chief”. O título do álbum também provém desta canção. É uma possível referência a George Bush, por este ter “roubado” as eleições norte-americanas em 2000. A evidência já foi negada pela banda. Camadas sonoras boreais, tempestuosas ou literárias sobrepostas, as atmosferas musicais complexas criadas pelos Radiohead fazem, quando depuradas aturadas audições sucessivas, parecer que a aparente desarrumação, ruído, nota, pausa, têm um motivo racional, ainda que sempre emotivo. Um dos mais incríveis (porque talvez seja este o melhor adjectivo) álbuns da banda de Thom Yorke foi, sem dúvida, "OK Computer". Pode dizer-se com alguma segurança que “OK Computer” e “1984” estarão também correlacionados, além das afecções da alma; da angústia, depressão, inquietude perante o mundo. Yorke alude propositadamente a "1984" já em “OK Computer”. Em "Hail to the Thief" volta a citar, como já vimos, o duplipensar na faixa de abertura: "2+2=5". Para fãs dos Radiohead, um pequeno brinde. Seguem-se algumas curiosidades sobre a música “2+2=5”. Ouçam-na e confiram:
O primeiro som do álbum é o ruído resultante do guitarrista Jonny Greenwood a colocar o jack na guitarra. Foi o primeiro som a ser registado quando os Radiohead foram para estúdio gravar “Hail to the Thief”. Se escutarem com muita atenção, Thom Yorke diz, ao fundo, «That's a nice way to start, Jonny...»
A primeira parte da canção bate a 7/4, e muda para 4/4 a cerca de um minuto e 23 segundos corridos, logo após as palavras "Two and two always makes five..."
Exactamente ao bater dos 2 minutos e 25 segundos (2:25), o ritmo, a dinâmica e o registo da música transformam-se radicalmente, e assim permanecerão até ao final da faixa.
Se bem que, quando contemplados arredondamentos de números decimais, 2+2 pode, de facto, resultar em 5 (2.4+2.4=4.8, ou seja, 5), os números 4 e 5 encontram-se também no limite relativo ao número de objectos que a maioria das pessoas consegue identificar com um simples olhar fugaz. É improvável que alguém veja quatro objectos em três reais - mas confundir quatro por cinco, ou vice-versa, é possível.
Ironicamente, cerca de um mês antes do lançamento de “Hail to the Thief”, foi roubada uma cópia do álbum do estúdio de gravação, que pouco mais tarde redundou na Internet.
“You have not been
paying attention”
“Quanto maior for a mentira, mais pessoas acreditarão nela”
Adolf Hitler
n.b. - Este post não teria sido possível sem o auxílio da Wikipedia.
O espaço que se segue é da inteira responsabilidade de Juvenal, O Anormal
Epistmologia.
É só uma das palavras que não pertence ao meu vocabulário reduzidíssimo. Tento, há anos, incluí-la numa conversa. "Era uma tosta de queijo, um copo de leite e alguma epistmologia, se faz favor". "Isso de golos de canto directo é um bocado do ramo da epistmologia, João". "Não sejas epistmológico ou vou ter de te furar, sócio". Já fui ver ao dicionário. Continuo sem saber. Odeio esforçar-me. Tudo o que quero na vida são nenhumas responsabilidades e um mínimo de esforço possível. Ah, e esperar que o Benicio del Toro morra para eu ser, finalmente, o tipo mais cool walking on the face of the earth. E minis. Muitas minis. Mas nada daquela paneleirice de abertura fácil. Que de fácil não tem nada e acaba por se entornar tudo em cima dos meus sofás de promoção da Sofatini e dos tapetes da Tricana que é a loja quase em frente da casa da minha avó que uma vez ia a estacionar num lugar e não cabia e um gajo da Tricana começa a mandar bocas meio a gozar e a minha avó sai do carro e diz "tenho carta há mais anos que você é nascido. Tem aqui a chave. Estacione." e o gajo acagaçou-se todo e fugiu para dentro da loja. Isto foi em 1989. Consta que ainda lá está, enrolado num persa, um tapete, não um gato. A minha avó era mesmo muito do rock. So, there i was being cool and stuff e vem um tipo ter comigo e diz "opá, tu não és o André?" e eu "wow! Até a minha mãe me pergunta isso quando nos cruzamos no corredor" e ele "wow!" e eu "wow!" e ele "wow!" e eu "wow!" e ele "wow!" e eu "vamos parar com isto que estamos a assustar as pessoas" e estávamos porque passou uma miúda por nós assim e disse "dudes, you're creeping me out!". E parámos. E ele "pagas-me uma bebida?" e eu "pá, não". Mas depois cedi que sou muito fácil. E bebida puxa bebida e ele "wow!" e eu "wow!" e ele "wow!" e eu "wow!" e ele "wow!". E eu não disse nada porque passou a mesma gaja a fazer ares de repulsa. E ele "então tu é que és o André?" e eu "sim, já perguntaste isso umas linhas acima". E disse que gostava muito do meu trabalho e eu disse que também gostava muito do trabalho dele. E vai daí diz-me "queres ir lá ao blog meter uma música?" e eu "não sei se deva, a modéstia não me permite tal coisa" e ele "vá lá" e eu "pá, não sei" e ele "anda lá" e eu "'tá bem" e ele "então qual?" e eu "sobpressaonaoconsigo" e ele "então paga-me uma bebida e já continuamos a falar" e eu, que já tinha dado parte de fácil uma vez e não podia não ser coerente, disse "'tá bem" e virei-me para o tipo do bar, que em vários anos de Incógnito NUNCA ME OFERECEU UMA BEBIDA, TU O DO BIGODE, SIM, PÁ!, e disse "era uma imperial e um coiso com cenas (uma vodka limão, julgo). E vai daí continua a conversa e eu já me começava a baralhar e acho que perdi um bocado a noção do que estava a dizer. E passei o resto do tempo a pensar nisso que foi até hoje e ainda estou a pensar mas o resto que se segue passou-se também nesse dia e não hoje mas eu não sou bom com flashbacks. E nisto começa a dar qualquer coisa e eu digo "dude, tenho de ir lá abaixo ter com a bitch". E devia ser alguma coisa realmente boa porque, next thing i know, acordo à porta de casa com um sapato a menos, a cara no tapete e um bilhete a dizer "não tem vasilhame". Putting the rock bottom in rock bottom since 1977!
Tenho-me esforçado desde então. Esforçado, esforçado, esforçado. Que é coisa que não faço a não ser que implique comer miúdas, beber cerveja ou gastar dinheiro em geral (acho que é o meu dom). E penso"André, qual é a música que mais gostas neste momento? Tu pensa, mulher, pensa". E vai daí it hit me like thunder. Assim como uma espécie de epifania (que é como quem desce do Saldanha ali pela Casal Ribeiro). A música que eu gosto assim mais no momento, e estive entre umas quatro que eu até dizia se fosse gajo de me armar e tivesse algum gosto musical (vá, pronto, como preciso de foder e pode ser que isto impressione alguém que não eu próprio: jackie (scott walker), amsterdam (jacques brel), love me or leave me (billie holiday) é o Rain Dogs do único gajo que come cereais com whisky ao pequeno-almoço. Eu já tentei. E ainda hoje há provas nos Sofatinis de promoção. Porquê? Porque é a música que ponho para aterrar em qualquer sítio. Se acontece qualquer coisa, ao menos posso chegar lá acima e dizer "a tua vida foi um falhanço, André, mas morreste a ouvir uma música do caralho".
O espaço que se segue é da inteira responsabilidade de Texx,
Os parolos é assim: escolhem uma roupa de marca e acham que isso tapa até o seu mau-gosto. É ouvi-los a justificar ao porteiro da discoteca: “Oi! Isto é uma Bérssatche cabeada!”
Juro que não foi para correr riscos, mas trouxe roupa
de marca prá Xukebox: camisa Ezra Koening, casaco Metronomy, roupa-interior The Very Best.
The Very Best é uma colaboração de Esau Mwamwaya, cantor, drummer, bom pé-direito, possante, rápido de cabeça e o duo de produtores/DJ’s Radioclit.
Deste encontro Malawi-East London nasceu primeiro uma mixtape que teve colaborações de (vejam só este guarda-roupa): M.I.A, Vampire Weekend, Architecture in Helsinki, BLK JKS, Santigold e os Ruby Suns.
Quando o projecto passou a álbum (há umas semanitas, poucas) este passou a chamar-se Warm Heart of Africa (Green Owl Records) e mantiveram-se muitas colaborações: Ezra Koening (Vampire Weekend) deu voz, Architecture in Helsinki e Metronomy (entre outros) remixaram.
Não é para todos os gostos, mas estes tons de África ultra-urbanizados têm pinta. Eu não os deixava à porta da discoteca.
The Very Best - Warm Heart of Africa (Metronomy Remix)
O espaço que se segue é da inteira responsabilidade de Matt
Olá a todos. Antes de mais obrigado pela oportunidade que me deram de esboçar aqui uma escolha musical. De todo a escolha que vos trago aqui foi consensual com todos os meus neurónios. As hipóteses eram muitas. A quantidade de sonoridades que me passa pelos ouvidos fizeram jus à complicação da escolha.
A realidade é que nos últimos anos, poucas bandas me têm feito saltar da cadeira. A música anda com etiquetas pobres e as bandas assumem deliberadamente clichés desde os primeiros sons que libertam cá para fora. Tentei intrinsecamente lembrar-me de alguém que fizesse e tivesse o brilhantismo de misturar influências pessoais com toques de magia, criatividade e talento. O “jovem” que vos apresento (se é que preciso de o fazer), chama-se Matthew Herbert. Um homem do experimentalismo electrónico, Matthew Herbert utiliza os sons mais triviais do dia-a-dia e utiliza-os nas suas composições. Sons de carros, escovas de dentes, comboios, dentadas de pessoas em maçãs, etc. Toda esta irreverência musical, alia-se a um peculiar house minimal que só ele sabe fazer. Como forma de distinção de alguns métodos de trabalho, Herbert criou alguns alter-egos, alguns bem conhecidos tais como Doctor RockIt e Radio Boy. Entre todos, apenas uma ligação é certa, a sua esposa Dani Siciliano participa em basicamente todos os seus trabalhos, dando voz ao house de Herbert. Como não bastasse, a paixão de Herbert pelo jazz, levou-o a convidar um grupo de amigos músicos e a formar a Mathew Herbert Big Band. Distanciando-se da procura de sons e sim preocupando-se com a gravação e interpretação dos sons, Herbert inicia um processo de maturação musical e dá origem a verdadeiras obras-primas em palco. O vídeo que vos apresento é exactamente de Matthew Herbert e da sua Big Band. Não deixem de ver e ouvir outros temas que pela internet divagam, são todos dignos de se ver. Este é só um exemplo de um deles que escolhi por contar com a participação de Dani Siciliano:
Surgem pela retaguarda, quase sem se dar por isso, mas entram pela ‘porta grande’. Não são grandes como Kings of Convinience ou Noah and The Whale, mas muitas vezes a estes senhores comparados.
Ficariam bem classificados num registo indie rock, ao qual sabiamente juntam toques de electrónica, mas poderia simplesmente dizer que o quarteto de Wielheim faz música que apetece a qualquer hora!
Os The Notwist vêm da Alemanha, já editaram 6 álbuns e é na simplicidade dos seus acordes que a magia acontece! Com um sucesso menor do que lhe era devido, o último trabalho dá pelo nome ‘The Devil, You + Me’ e foi editado em Maio do ano passado. Para a minha estreia no Xukebox escolho música capaz de transportar… Corpo e mente! A preferida? Consequence, do Néon Golden, um disco de 2002.
O espaço que se segue é da inteira responsabilidade de PWFH
Saio do cinema cuspindo os bagos de milho que não empipocaram, tinha ido ver o filme “Inimigos Públicos”. Lisboa estava quente e deserta e uma Super Bock gelada vinha mesmo a calhar.
Sentia-me bem, mas com vontade de praticar o mal, tinha em mim qualquer coisa que me fazia sorrir e me deixava irrequieto. Não queria estar assim vestido, queria um fato preto, uma gravata e chapéu branco, uns sapatos pretos e brancos com pequenos furos, e uma metralhadora rotativa. Os estofos do carro ferviam e as ondas de calor do capô transformavam a cidade num bairro de Chicago nos anos 50.
Arranquei e acendi o penúltimo cigarro. Preciso de um plano, quero combater esta inércia, não tenho uma Família que me beije a mão e me chame de padrinho, não tenho um talho para fazer lavagem de dinheiro, não sou chulo nem agiota. Tenho de viver isto sozinho e não tenho as sete vidas do gato. Os quatro vidros abertos deixam entrar mais barulho da cidade que passa por mim, do que propriamente vento refrescante.
Quero uma cerveja gelada, um maço cheio, uma nota de 500, uma Lisboa internacional, Mobs a preto e branco, com mods em Vespas, uma cidade bairro. Quero uma rude girl. Quero casinos, bandas de garagem, sidekickers, mowtown blues, Sohos e junkies. Musica. Abro o porta-luvas e saco uma cassete. Rancid. Rancid e a tal cerveja. Quero ser rude & reckless, mas não posso, amanhã trabalho.
O espaço que se segue é da inteira responsabilidade de Breites
Antes de mais, muito obrigado R2D2 e Mariana. Foi com grande honra e orgulho que recebi o convite para fazer um Guest Box, espaço por onde já passaram tantos ilustres bloguistas de insuspeita qualidade.
Pois bem… para hoje escolhi trazer-vos uma banda que ainda não passou por cá e que é só e apenas a minha preferida da actualidade. São os LCD Soundsystem, basicamente um projecto da cabeça de James Murphy (patrão da nova-iorquina DFA) mas que ao vivo se apresenta como uma banda que faz dançar.
James Murphy, com a sua barriguinha proeminente (chega a cantar orgulhosamente “It's like a fat guy in a t-shirt doing all the saying”, em Movement) e com o ar mais cool deste mundo ajudou a definir o que hoje alguém convencionou chamar de dance-punk ou indie-dance.
Tudo começou em 2002 com o primeiro single. Chamava-se Losing My Edge e - entre críticas aos “novos miúdos da cena” e homenagens a influências do passado - rapidamente se tornou um clássico instantâneo e uma referência em qualquer pista mais esclarecida.
Dai para cá o nível não baixou e tem sido pérola atrás de pérola. Já vamos com dois álbuns e o terceiro está a caminho. Declarações recentes dão conta que está a ser gravado numa mansão em LA e que James quer correr riscos, tal como se propôs fazer em Sound of Silver. Querem apostar que vem ai mais uma obra-prima?
Numa altura em que começam a surgir as primeiras listas para melhores da década, aqui fica a minha principal candidata ao lugar (difícil foi escolher só uma):
Este espaço é da inteira responsabilidade de LEduck,
Olá sou o LEduck! É com muito prazer que faço o primeiro post aqui no Xukebox. Adoro as artes sendo a Música e o Cinema as minhas paixões. Fui convidado pelos fundadores a postar músicas que me dissessem algo e aqui estou eu.
Mais um dueto nova-iorquino do lado de Brooklyn que nos trouxe este tema fantástico em 2008. Holy Ghost! são Nick Millhiser e Alex Frankel, apadrinhados pela editora DFA records de James Murphy ( LCD Soundsystem), no seu currículo fazem parte remisturas para Moby, MGMT e Cut Copy. Já estiveram no Lux em Maio passado com os MSTRKRFT e voltaram a Portugal dia 30 de Julho em Paredes de Coura. Álbum de estreia com esta e outras musicas só para o princípio do próximo ano…
Este tema transporta-me automaticamente para uma pista de dança com a sua batida e graves contagiantes. Vamos ao Lux?
Queria antes de mais pedir-vos desculpa por esta interrupção na programação habitual. Peço-vos que não troquem de emissão nem desliguem a telefonia, pois trago algo que não só é fixe como também é altamente.
Eu chamo-me A e provavelmente conhecem-me de sítios tão familiares como livros, jornais, panfletos e outro meios de comunicação visual que usem o alfabeto Latino, mas hoje venho aqui apresentar-vos algo de que gosto. E de que é que eu gosto? gosto de música, em grande parte porque música é espectacular. Isto acabou por ser um problema porque achar que toda a música é espectacular apenas nos dificulta as escolhas. Escolhas essas que mesmo assim acabei por reduzir a 5 e depois escolhi uma à sorte. Calhou isto:
Animal Collective
Fig.1 - Porra eles são mesmo fixes!
E acho que nem precisava de dizer mais nada para acharem que sim senhor isto é do bom! Mas, como nunca devemos deixar as coisas pela metade, vou fazer uma pequena critica musical como acho que deve ser feita:
Eles já vão no 8º albúm, Merriweather Post Pavilion, de onde foi tirada a música anterior, a isto somasse mais uma série de EPs, álbuns a solo e alguns até em da banda. Portanto o que não lhes falta é tempo e criatividade... e qualidade.
Ah! Quase que me esquecia, eles são também bastante românticos!
Fig.2 - Peacebone! O video clip parece a sequela do Alien, feita pelo David Lynch e com samples de um ZX Spectrum
Não meto aqui o video do youtube, porque a página já está pesada demais, deixo só o link e mais uma música, Fireworks, que de tanto ouvir acabei por ser feliz.
E assim acabou a minha participação. E agora? Bem ainda tenho pelo menos mais 4 bandas que tirando o facto de serem fabulosas mais nada têm em comum, mas isso fica para outro guest box ;)
O espaço que se segue é da inteira responsabilidade de Happinêss:
What else is in the teaches of…?
Muito do que é dito sobre a artista que se segue passa sobretudo pela sua badalhoquice. Peachesé efectivamente badalhoca e não tem complexo em mostrá-lo ao mundo. Ex-professora de música do primeiro ciclo, cedo percebeu que sexo e electroclash combinados constituem a mais alta manifestação artística.
Há três anos, no Garage, tive oportunidade de lhe ver as cuecas e penso que depois disso nunca mais terei olhado para lingerie da mesma forma. Peaches é para se ouvir de vez em quando, mas quando se faz, é para ser a sério. É que por detrás das insinuações erótico-sexuais-putéfias das suas canções, está uma canadiana que escreve, produz, toca e programa música de raiz e na vanguarda da batida electrónica.
O quarto álbum já está aí e arrisco dizer que é dos melhores a par com The Teaches of Peaches. I Feel Cream é completo e complexo, tem uma mãozinha dos Digitalism e dos Soulwax, e é dele que extraio para os Xuke’s listeners esta faixa de um estranho acento pop e doce como um pêssego deve ser.
O espaço que se segue é da responsabilidade da Andróide
O relógio apontava dez horas da manhã, tinha tido um furo na escola, e não havia qualquer substituição. Sentada na esplanada do centro comercial, enquanto bebia um "ganda" café, uma amiga minha pôs uma música a tocar no telemóvel. "É gira" - pensei. O som parecia-me normal. As poucas partes que percebia da letra, mesmo sendo boa a Inglês e perceber as letras quase sempre, não percebia bem o que queria dizer. As palavras caras não davam para perceber, afinal ainda não tenho grande escolaridade de inglês. Um mês passou e já era ouvida constantemente. A partir daí ouvi-a vezes e vezes sem conta, percebendo cada vez melhor a letra.
A música que trago foi uma total escolha minha, e quando a mostrei ao meu pai, um grande sorriso de orelha-a-orelha floresceu na minha cara quando ele disse que gostava. Né que ele não goste de muitas das músicas que lhe mostro, mas cada vez que ele as aprova fico sempre contente. Afinal, é a opinião do meu pai - o homem que mais admiro em toda a minha vida!
Há meses que estou a tentar escrever algo produtivo e não encontrava nada. Estava sempre muito preocupada em escrever algo "adulto", comparando outros guest-box's... Vou admitir, simmmmm, estou nervosa! Vão gostar? Não vão? Isso é algo que cabe aos leitores :)
Penso que, ainda tenho tantos passos para caminhar, tantas paisagens para ver, tantos sentimentos para sentir, músicas para ouvir, caminhos por escolher, memórias por ter, tantos anos por vir, tantos pensamentos... Tenho a vida pela a frente, como costumam dizer os meus pais...
E aqui estão os The Kooks, que actuaram ontem no Optimus Alive, festival que eu gostaria de ir ver (não, pai, não estou a pedir para me comprares o bilhete.). A música chama-se Naive :)
O espaço que se segue é da responsabilidade de Gervásio
Aceitei sem pestanejar o amável desafio do R2D2 para vos trazer aqui uma música e escrever um post. Se me foi fácil decidir qual a música que gostaria de partilhar convosco, tive mais dificuldade em descobrir em que tom escrever o post. A dificuldade com o tom talvez resulte de adorar música mas me faltar formação musical. Apenas não quero que este convite do Xuke Box se torne para todos numa decisão grave ou um choque agudo. Veremos.
Conheci a banda e canção que vos ofereço através de um filme que me marcou. Música e cinema são dois corpos com intimidade inabalável. Tal como não consigo dissociar um filme da música que o compõe, quando ouço uma música que me diz bastante, não consigo deixar de fazer o meu próprio filme dela. Creio que se pode chamar a isto "videoclip mental". Devia haver mais deles no You Tube. Eu acho.
Não é pelo brilhantismo do filme. Simplesmente vi-o no momento certo, numa fase crucial que amplificou as emoções que senti. Também mexeu comigo por ser uma pequena produção "indiependente", por ser um filme que gostava de ter sido eu a escrever, por ter momentos de simplicidade belíssima e pela presença da Natalie Portman que é sempre música para os meus olhos. Por vezes gostamos das coisas pelas razões erradas, neste caso fico feliz se assim for.
Por tudo isto, esta e uma outra canção que fazem parte do filme foram amor à primeira audição. Depois quis conhecer melhor a banda e o resultado foi ter-se tornado numa das minhas bandas americanas de eleição. Só não sei se eles são Democratas ou Republicanos. Na Wikipédia não diz.
Mas o motivo pelo qual resolvi escolher esta e não outra (tinha um punhado delas em carteira) foi há pouco tempo ter voltado a revisitar o filme. Só que desta vez aconteceu o inverso: foi a tal música que chegou a mim. De novo. E uma vez mais foram as circunstâncias especiais e até algo cinematográficas que a trouxeram. A música surgiu-me na altura exacta, a completar um momento perfeito. E foi assim que conquistou o direito de entrar directamente para a banda sonora da minha própria vida.
O filme é o Garden State, The Shins o nome da banda e a música chama-se "Kissing the Lipless". Espero que oiçam, espero que gostem e espero sobretudo que consigam realizar os vossos videoclips mentais.
The Shins, Kissing the Lipless
Podem ouvir mais escolhas musicais de Nuno Gervásio no BLIP